domingo, 20 de julho de 2014
domingo, 30 de março de 2014
domingo, 2 de março de 2014
Sotaque das mineiras. Segunda parte
Fonte: Edna Campos
2ª parte
"Que os mineiros não acabam as
palavras, todo mundo sabe. É um tal de bonitim, fechadim, e por aí vai. Já me
acostumei a ouvir: "E aí, vão?". Traduzo: "E aí, vamos?".
Não caia na besteira de esperar um "vamos" completo de uma mineira.
Não ouvirá nunca.
Na verdade, o mineiro é o baiano
lingüístico. A preguiça chegou aqui e armou rede. O mineiro não pronuncia uma
palavra completa nem com uma arma apontada para a cabeça.
Eu preciso avisar à língua
portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira.
Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas. Por
exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer:
— Eu preciso de ir.
Onde os mineiros arrumaram esse
"de", aí no meio, é uma boa pergunta. Só não me perguntem. Mas que
ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório. Deixa eu
repetir, porque é importante. Aqui em Minas ninguém precisa ir a lugar nenhum.
Entendam... Você não precisa ir, você "precisa de ir". Você não
precisa viajar, você "precisa de viajar". Se você chamar sua filha
para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará:
— Ah, mãe, eu preciso de ir?
— Ai, gente, que dó.
É provável que a essa altura o
leitor já esteja apaixonado pelas mineiras. Eu aviso que vá se apaixonar na
China, que lá está sobrando gente. E não vem caçar confusão pro meu lado.
Porque, devo dizer, mineiro não
arruma briga, mineiro "caça confusão". Se você quiser dizer que tal
sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele
"vive caçando confusão".
Para uma mineira dizer que algo é muitíssimo bom ela, se for jovem, vai gritar: "Ô, é sem noção". Entendeu,
leitora? É sem noção! Você não tem, leitora, ideia do tanto de bom que é. Só
não esqueça, por favor, o "Ô" no começo, porque sem ele não dá para
dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?-
Ah, nem...
C. Drumond.
Vou parando por aqui.
O dicionário mineirês é enorme
Aproveitando umas férias da faculdade pra relembrar minhas origens.
Boa folia a todos.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Sotaque das Mineiras: Primeira parte.
Fonte: Edna Campos
""Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso? Assino achando que ela me faz um favor.Eu sou suspeitosíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.
Mas, se o sotaque desarma, as expressões são um capítulo à parte. Não vou exagerar, dizendo que a gente não se entende... Mas que é algo delicioso descobrir, aos poucos, as expressões daqui, ah isso é...
Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem: "pó parar". Não dizem: onde eu estou?, dizem: "ôndôtô?"). Parece que as palavras, para os mineiros, são como aqueles chatos que pedem carona. Quando você percebe a roubada, prefere deixá-los no caminho.
Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem — lingüisticamente falando — apenas de uais, trens e sôs. Digo-lhes que não.
Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro — metaforicamente falando, claro — ele é bom de serviço. Faz sentido...
Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: "cê tá boa?" Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa, é como perguntar a um peixe se ele sabe nadar. Desnecessário.
Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: — Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc).
O verbo "mexer", para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.
Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz:
— Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô.
Esse "aqui" é outro que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer, olá, me escutem, por favor. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.
Mineiras não dizem "apaixonado por". Dizem, sabe-se lá por que, "apaixonado com". Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: "Ah, eu apaixonei com ele...". Ou: "sou doida com ele" (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas com alguma coisa””
Carlos Drumond de Andrade.
Eu sou mineira UAI!
A foto ainda é do tempo que o sotaque não estava tão misturado com o de outras regiões do país.
Original.
.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Por que sonhas, Minas?
Fonte: Museu de Inhapim
“Minas Gerais:
há sempre uma procissão passando, um sino tocando nas igrejas e nos corações, e
uma conspiração em curso.
Ah, Minas Gerais: de onde vem
essa rua permanente, clandestina, diária, camuflada, subversiva inconfidência?
Vem dos cristãos novos, que se
asilaram em tuas cidades e aportuguesaram os nomes suspeitos?
Vem dos negros que fizeram de ti
a África-mãe?
E essa tua mania, Minas Gerais,
de ser altaneira, de não ficar de joelhos a não ser diante de Deus e dos teus
santos de fé, e, ao mesmo tempo, ficar olhando para o chão, para os lados, de
nunca encarar o teu interlocutor ou inquisidor, de onde vem teu jeito simulado,
Minas Gerais?
Por que sempre parece que tens
medo, Minas Gerais?
Por que tua coragem, de dar um
boi para não entrar numa briga e uma boiada para não sair, vem sempre
travestida, disfarçada?
Por que, Minas Gerais?
Amo em ti, Minas Gerais, não
apenas essa rebelião que carregas no peito como um vulcão clandestino, amo em
ti o culto dos sonhos impossíveis.
A liberdade era a amante mais
desejada, mais sonhada de Tiradentes, era seu sonho impossível - e, por ele,
Tiradentes morreu.
Teu filho Santos Dumont deu asas
ao impossível sonho humano de voar.
E antes de Santos Dumont, o que
foi o Aleijadinho, senão um mágico que transformava em realidade impossível
sonhos em pedra-sabão?
Minas Gerais: Juscelino plantou
uma flor de concreto, a que deu nome de Brasília, no cerrado. Era também a
realização do impossível. E teu filho e rei, Pelé, nascido em Três Corações ,
escolhia os mais tortuosos e difíceis caminhos para o gol, e sempre perseguiu o
gol impossível, o único que não conseguiu realizar: o de surpreender o goleiro
com um chute de longa distância.
Minas Gerais: amo em ti a
contradição.
Aqui, tu acendes o fogo,
incendeias os corações: ali tu és, minas Gerais, a água na fervura, a água
apagando o fogo.
Tu és sertão e cidade, és o
passado e o presente, és o Rio Doce e rios amargos, trágicos, és um casarão com
38 janelas e és uma casa moderna e ensolarada.
Por que sonhas, Minas Gerais?
E por que, Minas Gerais, quando
sorris, quando estás alegre, sempre acabas punindo tua própria alegria, como se
ela, como tus sonhos de liberdade, te fosse proibida?
Por que sempre estás pensando que
comete um grave pecado, Minas Gerais?
Por que teus filhos rezam mesmo
quando são ateus?
Por que, Minas Gerais, por quê?"
Roberto Drummond
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Quero colo
“Exatamente assim. Pesada,
sufocada. Ando com uma vontade tão grande de receber todos os afetos, todos os
carinhos, todas as atenções.
Quero colo, quero beijo, quero
cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces,
quero música, vento, cheiros ... quero parar de me doar e começar a receber.
Sabe, eu acho que não sei fechar
ciclos, colocar pontos finais. Comigo são sempre virgulas, aspas,
reticências... eu vou gostando... eu vou cuidando, eu vou desculpando, eu vou
superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando, eu vou... e continuo indo,
assim, desse jeito, sem virar páginas, sem colocar pontos... e vou... dando
muito de mim, e aceitando o pouquinho que os outros tem para me dar.”
Caio Fernando de Abreu
sábado, 28 de dezembro de 2013
FELIZ ANO NOVO!
Foto é da rede.Montagem minha.
Amo este espaço e gostaria de estar mais perto compartilhando e lendo tudo que vocês escrevem.
Mas ando meio que assim assim...para não usar os vocabulários concretos....
Feliz Ano Novo a todos ! Meu carinho abraços e saudades.
Já vou, pois, 2014 já está batendo na porta..Beijos. Edna campos.
sábado, 21 de dezembro de 2013
Natal Todo Dia
Um clima de sonho se espalha no ar
Pessoas se olham com brilho no olhar
A gente já sente chegando o Natal
É tempo de amor, todo mundo é igual
Os velhos amigos irão se abraçar
Os desconhecidos irão se falar
E quem for criança vai olhar pro céu
Fazendo pedido pro velho Noel
Se a gente é capaz de
espalhar alegria
Se a gente é capaz de toda essa magia
Eu tenho certeza que a gente podia
Fazer com que fosse Natal todo dia
Se a gente é capaz de
espalhar alegria
Se a gente é capaz de toda essa magia
Eu tenho certeza que a gente podia
Fazer com que fosse Natal todo dia
Um
jeito mais manso de ser e falar
Mais calma, mais tempo pra gente se dar
Me diz porque só no Natal é assim
Que bom se ele nunca tivesse mais fim
Que o Natal comece no
seu coração
Que seja pra todos, sem ter distinção
Um gesto, um sorriso, um abraço, o que for
O melhor presente é sempre o amor
Natal Todo Dia
Roupa Nova
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Utopias
“Nesse momento que o mundo
reverencia Nelson Mandela.
Vale lembrar das
utopias. Elas movem a humanidade. Utopias "Nossa geração cultivava sonhos
de mudar o mundo.
O mundo muda
sempre, por si mesmo, pela força das coisas, pelo choque das contradições. Mas,
para se transformar, se necessita também de utopias.
Estas animam o
espírito, dão força aos protagonistas das mudanças. Por definição, utopia não
se realiza.
Eu sempre usei
uma expressão, criticada pelos mais simplistas, que fala de uma “utopia
viável”. Uma contradição nos termos. Entendo que precisa ter um sonho, uma
meta, e um caminho, viável, que possa nos levar na direção onde queremos
chegar".
Fernando Henrique Cardoso:
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