terça-feira, 1 de março de 2016

Limites - Os pais mais bobos e inseguros da história


                                                            Fonte: Edna Campos.2015

Somos as primeiras gerações de pais decididos a não repetir com os filhos os erros de nossos progenitores. E com o esforço de abolir os abusos do passado, somos os pais mais dedicados e compreensivos, mas, por outro lado, os mais bobos e inseguros que já houve na história.
O grave é que estamos lidando com crianças mais "espertas", ousadas, agressivas e mais poderosas do que nunca.
Parece que, em nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ter, passamos de um extremo ao outro. Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos...
Os últimos que tivemos medo dos pais e os primeiros que tememos os filhos. Os últimos que cresceram sob o mando dos pais e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos. E o que é pior, os últimos que respeitamos nossos pais e os primeiros que aceitamos (às vezes sem escolha...) que nossos filhos nos faltem com o respeito.
Na medida em que o permissível substituiu o autoritarismo, os termos das relações familiares mudaram de forma radical, para o bem e para o mal. Com efeito, antes se consideravam bons pais aqueles cujos filhos se comportavam bem, obedeciam a suas ordens e os tratavam com o devido respeito. E bons filhos, as crianças que eram formais e veneravam seus pais.
Mas, à medida que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos foram se desvanecendo, hoje, os bons pais são aqueles que conseguem que seus filhos os amem, ainda que pouco os respeitem. E são os filhos quem, agora, esperam respeito de seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem as suas idéias, seus gostos, suas preferências e sua forma de agir e viver. E, além disso, os patrocinem no que necessitarem para tal fim.
Quer dizer; os papéis se inverteram, e agora são os pais quem tem que agradar a seus filhos para ganhá-los e não o inverso, como no passado. Isto explica o esforço que fazem hoje tantos pais e mães para serem os melhores amigos e "dar tudo" a seus filhos. Dizem que os extremos se atraem.
Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo de seus pais, a debilidade do presente os preenche de medo e menosprezo ao nos ver tão débeis e perdidos como eles.
Os filhos precisam perceber que, durante a infância, estamos à frente de suas vidas, como líderes capazes de sujeitá-los quando não os podemos conter, e de guiá-los enquanto não sabem para onde vão. Se o autoritarismo suplanta, o permissível sufoca.
Apenas uma atitude firme, respeitosa, lhes permitirá confiar em nossa idoneidade para governar suas vidas enquanto forem menores, porque vamos à frente liderando-os e não atrás, carregando-os, e rendidos à sua vontade.
É assim que evitaremos que as novas gerações se afoguem no descontrole e tédio no  qual está afundando uma sociedade que parece ir à deriva, sem parâmetros nem destino.

Os limites abrigam o indivíduo. Com amor ilimitado e profundo respeito.

Monica Monasterio


5 comentários:

  1. Precisamos ser exemplo, espelho, constantes e presentes na vida de nossos filhos

    ResponderExcluir
  2. Perfeito esse texto!Adorei.Muito verdadeiro! As crianças pedem e precisam limites e os pais não o sabem dar! bjs, chica

    ResponderExcluir
  3. Um texto muito inteligente e centrado na problemática atual de como educarmos nossas crianças.Nem demais ,nem de menos autoridade,mas a medida certa pra qualquer que seja o caso é o amor e este só pode se manifestar quando há respeito.Bom te ler assim...Abraço fraterno,bom dia!

    ResponderExcluir
  4. Olá Edna, que bom voce ter aparecido pelo blog e assim reencontrar este caminho. Vejo que sou seu seguidor e agora estou colocando nos favoritos para receber suas atualizações. Este corre-corre da vida às vezes nos leva cometer este distanciamento de alguns blogs. Mas refaço o caminho. Que bom que está a buscar uma nova formação academica. Vá mesmo e quando tempo tiver apareça.
    Uma bela partilha da Monica. Eu me pergunto onde foi que erramos, se erramos. Tudo girou rapido e confesso que fico assustado. Sempre estou a recordar as formas de educação e limites que vivemos e o que se vive. Alguns eu bem entendo, outros eu piro. O caso dos namoros é o que mais me assustou e ainda assusta. Avançou tanto que eu não entendi e ou não entendo ainda.
    Mas é a roda que gira e temos que nos adaptar para não sofrer muito.
    Obrigado Edna.
    Meu abraço com carinho e o desejo de Feliz Páscoa a voce e toda sua familia, com renovação das esperanças.

    ResponderExcluir
  5. Olá, Edna.
    A difícil e árdua tarefa: a educação e formação de um ser.
    Não existem regras nem manuais a seguir: o que serve para um, não funcionará, jamais, com outro. Onde estão as fronteiras, os limites? Por vezes são tão difíceis de encontrar e saber onde soltar, onde puxar, onde fechar portas, onde escancarar janelas... Amor só não basta. Porque não são apenas os pais os formadores/educadores do filho: é todo um meio, muito complexo, que nos ultrapassa, a começar pelo tempo: quando atingem uma certa idade, são mais dos outros do que nossos - o tempo em que estão connosco é muito reduzido em relação ao tempo em que estão com professores, com colegas e/ou amigos (ah, os amigos!) e nem sabemos, porque eles não dizem tudo, o que fazem, com quem fazem. A necessidade de pertencer ao grupo, leva-os a seguirem por condutas que não foram as orientadas por nós, mas é a opção tomada, para não serem postos de lado ou rechaçados ou, porque simplesmente lhe encanta os olhos. O mundo grita e apregoa valores e bens que passam a ser prioridade deles, independentemente do que acham que é certo ou errado - querem ter/ser como o mundo inteiro mostra que é possível: roupas de marca, apetrechos sempre "in", amores vividos a mil, porque não dá para ser menos, saídas uma noite inteira, até à manhã do dia seguinte, quando deveriam estar a levantar, porque é assim que toda gente faz...
    Já nem é questão do que um pai/educador sabe ou consegue fazer: é questão do que o filho consegue "não fazer" ou "escolher".

    Tema excelente para ser debatido e... ainda fica muito por acrescentar, sempre ;)

    bj amg

    ResponderExcluir

"Durante nossa vida conhecemos pessoas que vem e ficam.
Outras que vem e passam.
Existem aquelas que vem, ficam e depois se vão.
Mas existem aquelas que vem e se vão com uma enorme vontade ficar."
Charles Chaplin.
Obrigada pelo seu comentário. Bjs.